Quando você ensina, transmite. Quando você educa, disciplina. Mas quando evangeliza, salva. A. R.

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Por que sofrem as crianças?



Diante dos sofrimentos pelos quais milhões de crianças inocentes estão diária e sistematicamente passando, atribuir esse fato a um simples resgate de vidas passadas é um equivoco que não encontra amparo no que nos é ensinado pelo Espiritismo.

No cap V de O Evangelho segundo o Espiritismo, Allan Kardec escreveu:
"Não há crer (...) que todo sofrimento suportado neste mundo denote a existência de uma determinada falta. Muitas vezes são simples provas buscadas pelo Espírito para concluir a sua depuração e ativar o seu progresso. Assim a expiação serve sempre de prova, mas nem sempre a prova é uma expiação, todavia, são sempre sinais de relativa inferioridade, porquanto o que é perfeito não precisa ser provado.

Pode, pois, um Espírito haver chegado a certo grau de elevação e, nada obstante, desejoso de adiantar-se mais, solicitar uma missão, uma tarefa a executar, pela qual tanto mais recompensado será, se sair vitorioso, quanto mais rude haja sido a luta. Tais, são, especialmente, essas pessoas de instintos naturalmente bons, de alma elevada, de nobres sentimentos inatos, que parece nada de mau haverem trazido de sua precedentes existências e que sofrem, com resignação toda cristã, as maiores dores, somente pedindo a Deus que as possam suportar sem murmurar.

Pode-se, ao contrário, considerar como expiações as aflições que provocam queixas e impelem o homem à revolta contra Deus.

Sem dúvida, o sofrimento que não provoca queixumes pode ser uma expiação, mas é indicio de que foi buscada voluntariamente, antes que imposta, e constitui prova de forte resolução, o que é sinal de progresso. "( O Evangelho segundo o Espiritismo, cap V item 9)

No cap VIII da 2 parte do livro O Céu e o Inferno, Kardec relata o caso de Marcel, um menino de cerca de 10 anos que se encontrava internado num hospital de província. Totalmente contorcido, já pela sua deformidade inata, já pela doença, as pernas se lhe torciam roçando pelo pescoço, num tal estado de magreza, que eram pele sobre ossos. O corpo, uma chaga; os sofrimentos, atrozes. Marcel era oriundo de uma família israelita. A moléstia dominava aquele seu organismo havia oito longos anos, e no entanto demonstrava o enfermo uma candura, uma paciência e uma resignação edificantes.

Um dia, o menino disse ao médico que o assistia:
- Doutor, tenha a bondade de me dar ainda uma vez aquelas pílulas ultimamente receitadas.

_ Para que? replicou-lhe o médico, se já te ministrei o suficiente, e maior quantidade pode fazer-te mal...

- É que eu sofro tanto, que dificilmente posso orar a Deus para que me dê forças, pois não quero incomodar os outros enfermos que aí estão. Essas pílulas fazem-me dormir e, menos quando durmo, a ninguem incomodo.

O fato basta para demonstra a grandeza daquela alma encerrada num corpo informe. Onde teria ido essa criança haurir tais sentimentos? Certo, não foi no meio em que se educou; além disso, a idade em que principiou a sofrer, não possuía sequer o raciocínio. Tais sentimentos eram-lhe inatos; mas então por que se via condenado ao sofrimento, admitindo-se que Deus houvesse concomitantemente criado um alma assim tão nobre e aquele mísero corpo instrumento dos suplícios? É preciso negar a bondade de Deus, ou admitir a anterioridade de causa, isto é, a preexistência da alma e a pluralidade das existências.

Os últimos pensamentos daquele menino, ao desencarnar, foram para Deus e para o caridoso médico que o assistiu por longo tempo.

Decorrido algum tempo, foi seu Espírito evocado na Sociedade de Paris, onde deu em 1863 a seguinte comunicação:

"A vosso chamado, vim fazer que a minha voz se estenda para além deste círculo, tocando todos os corações. Oxalá seu eco se faça ouvir na solidão, lembrando-lhes que as agonias da Terra têm por premissas as alegrias do céu; que o martírio não é mais do que a casca de um fruto deleitável, dando coragem e resignação.

Essa voz lhes dirá que, sobre o catre da miséria, estão os enviados do Senhor, cuja missão consiste na exemplificação de que não há dor insuportável, desde que tenhamos o auxílio do Onipotente e dos seu bons Espíritos. Essa voz lhes fará ouvir lamentações de mistura com preces, para que lhes compreendam a harmonia piedosa, bem diferente da de coros de lamentações mescladas com blasfêmias.

Um dos vossos bons Espíritos, grande apóstolo do Espiritismo, cedeu-me o seu lugar por esta noite.

Por minha vez, também me compete dizer algo sobre o progresso da vossa Doutrina, que deve auxiliar em sua missão os que entre vós encarnam para aprender a sofrer. O Espiritismo será a pedra de toque, os padecentes terão o exemplo e a palavra, e então as imprecações terão o exemplo e a palavra, e então as imprecações se transformarão em gritos de alegria e lágrimas de contentamento" (O Céu e o Inferno 2 parte cap VIII)

Kardec perguntou-lhe - Pelo que afirmais, parece que os vossos sofrimentos não eram expiações de faltas anteriores. O Espírito de Marcel respondeu:

'Não seriam uma expiação direta, mas asseguro-vos que todo sofrimento tem uma causa justa. Aquele a quem conhecestes tão mísero foi belo, grande, rico e adulado. Eu tivera turiferários e cortesãos, fora fútil e orgulhoso. Anteriormente fui bem culpado, reneguei Deus, prejudique meu semelhante, mas expiei cruelmente, primeiro no mundo espiritual e depois na Terra. Os meus sofrimentos de alguns anos apenas, nesta última encarnação, suportei-os eu anteriormente por toda uma existência que ralou pela extrema velhice. Por meus arrependimentos reconquistei a graça do Senhor, o qual me confiou muitas missões, inclusive a última, que bem conheceis, E fui eu quem as solicitou, para terminar a minha depuração. Adeus, amigos; tornarei algumas vezes. A minha missão é de consolar, e não de instruir.

Há, porém aqui muitas pessoas cujas feridas jazem ocultas, e essas terão prazer com a minha presença. "( O Céu e o Inferno 2 parte cap VIII)

Essa mania - tão comum em certos meios - de apontar supostas causas para determinados fatos dever evitada, sobretudo pelas pessoas que usam a tribuna ou se valem da imprensa para divulgar os ensinamentos espíritas. Trata-se da prática do conhecido achismo, que somente prejudica e em nada beneficia a divulgação da doutrina espírita.

Se não temos condições nem conhecimento de causa para formular uma explicação ou dar uma resposta a determinada pergunta, basta dizer - Não sei, mas vou pesquisar e então lhe darei a resposta a determinada pergunta.

Agir de forma diferente é prestar um desserviço à doutrina que abraçamos.

Astolfo O. de Oliveira Filho - Jornal O Imortal ano 65 N 767 Jan 2018

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Familia



Há, pois duas espécies de famílias:
  • as famílias pelos laços espirituais e
  • as famílias pelos laços corporais.
Duráveis, as primeiras se fortalecem pela purificação e se perpetuam no mundo dos Espíritos, por meio das várias migrações da alma; as segundas, frágeis como a matéria, se extinguem com o tempo e, muitas vezes, se dissolvem moralmente, já na existência atual.
(do item 8,cap XIV de O Evangelho segundo o espiritismo)

De todas as associações existentes na Terra - excetuando naturalmente a humanidade - nenhuma talvez mais importante em sua função educadora e regenerativa;  a constituição da família.

De semelhante agremiação, na qual dois seres se conjugam, atendendo aos vínculos do afeto, surge o lar, garantindo os alicerces da civilização. Por meio do casal aí estabelecido funciona o princípio da reencarnação, consoante as Leis divinas, possibilitando o trabalho executivo dos mais elevados programas de ação do mundo espiritual.

Por intermédio da paternidade e da maternidade, o homem e a mulher adquirem mais amplos créditos da vida superior.

Daí, as fontes de alegria que se lhes rebentam do ser com as tarefas da procriação.

Os filhos são liames de amor conscientizado que lhes granjeiam proteção mais extensa do mundo maior, uma vez que todos nós integramos grupos afins.

Na arena terrestre, é justo que determinada criatura se faça assistida por outras que lhe respiram a mesma faixa de interesse afetivo. De modo idêntico, é natural que as inteligências domiciliadas nas esferas superiores se consagrem a resguardar e guiar aqueles companheiros de experiência, volvidos à reencarnação para fins de progresso e burilamento.

A parelentela no planeta faz-se filtro da família espiritual sediada além da existência física, mantendo os laços preexistentes entre aqueles que lhe comungam o clima.

Arraigada nas vidas passadas de todos aqueles que a compõem, a família terrestre é formada, assim, de agentes diversos, portanto nela se reencontram, comumente, afetos e desafetos, amigos e inimigos, para os ajustes e reajustes indispensáveis ante as leis do destino.

Apesar disso, importa reconhecer que o clã familiar evolve incessantemente para mais amplo conceitos de vivência coletiva, sob os ditames do aperfeiçoamento geral, conquanto se erija sempre em educandário valioso da alma.

Temos, dessa forma, no instituto doméstico uma organização de origem divina, em cujo seio encontramos os instrumentos necessários ao nosso próprio aprimoramento para a edificação do mundo melhor.

Emmanuel
Extraído do livro Sexo e Vida - Francisco Cândico Xavier

domingo, 1 de outubro de 2017

MEDIUNIDADE E RELIGIÃO


 
 
“Toda pessoa que sente, em um grau qualquer, a influência dos Espíritos, por isso mesmo, é médium. Esta faculdade é inerente ao homem e, por consequência, não é privilégio exclusivo; também são poucos nos quais não se encontram alguns rudimentos dela.” (Livro dos Médiuns parte 2 – cap. XIV, item 159).

 
 
A religiosidade é fruto do sentimento inato da existência de Deus, que o Espírito conserva ao encarnar. Justamente na infância, entre seus familiares e amigos, é que as crianças assimilam suas mais profundas convicções religiosas, somando-se a essas crenças as das outras existências corpóreas. Todos nós trazemos certo grau de maturidade espiritual; são significativos conhecimentos a respeito de nós mesmos e de nossa filiação divina, adquiridos no decorrer das vidas pretéritas.
O que principalmente chama a atenção de muitos de nós, na fase infantil, é o desejo ardente de adquirir conhecimentos – uma espécie de energia motora sempre em movimentação, que nos anima, estimula, encoraja e impulsiona ao aprendizado constante.
Tudo que fazemos na infância tem um objetivo importante na formação de nossa personalidade psicossocial e espiritual; portanto, devemos valorizar os esforços e a sede de informações na idade dos “porquês”. As crianças querem saber sobre as coisas mais profundas, como Deus, elas mesmas, a religião, até as mais triviais, como “por que está chovendo?” ou “Por que a pedra é dura?”.
Adultos que incutiram nas crianças conceitos de que Deus dá prêmios e castiga que se zanga com suas travessuras e fica profundamente desgostoso quando não se conduzem bem, estão, na realidade, criando nelas sentimentos de culpa. Utilizam-se da onisciência, onipresença e onipotência de Deus para manipular, através do medo, o bom comportamento delas.
“Não somente pais, professores e parentes lançam mão da culpa e do medo; também as próprias religiões do passado usavam esses sentimentos para garantir a submissão dos fiéis, intimidando-os com o fogo do inferno, caso não fossem ‘suficientemente bons”.
...
O Espiritismo possui o antidoto conta essa crença milenar. Suprimiu o personalismo e ensinou-nos a ligação direta da criatura com Deus, dispensando intermediações e restituindo ao homem a visão de que o Criador deseja que sejamos co-criadores, não aduladores ou escravos.
...
A finalidade da religião é levar as pessoas ao verdadeiro significado transcendental da existência, desenvolvendo nelas o sentimento de religiosidade.
...
Por isso, o Espiritismo afirma que todas as criaturas são expressões divinas, vestindo temporariamente um corpo carnal. Que “esta faculdade (mediunidade) é inerente ao homem e, por consequência, não é privilégio” de ninguém.
...
Cristo tinha uma sensibilidade unificada, quer dizer, possuía uma visão cósmica de que todos estamos intrinsecamente ligados na teia dinâmica da Vida Providencial, quando afirmou: “Nesse dia compreendereis que estou em meu Pai e vós em mim e eu em vós”.
Jesus sabia que, em germe, todos somos frutos iguais da Paternidade Divina, razão pela qual assegurou que poderíamos fazer as obras que Ele fez, e até maiores do que elas.
A autêntica religiosidade não quer restringir nossa liberdade, mas, sim, apresenta-la a nós. Ela nos inspira a naturalidade da vida, o espírito crítico, a perquirição filosófica, a racionalidade, levando-nos a entender a perfeita harmonia do Universo. Igualmente nos incentiva a viver a religião natural, em cuja ambiência não se realiza nenhum culto exterior ou místico, nem existem privilégios ou concessões celestiais.
A mediunidade é dom inato, um dos sentidos inerentes ao homem. Recurso que o Pai nos concede para que possamos participar dos poderes sagados da Divina Criação.
Extraído do livro A imensidão dos sentidos – Hammed – Francisco do Espírito Santo Neto

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

O QUE É MAIS IMPORTANTE DO QUE PERDOAR?



- É NÃO SE SENTIR OFENDIDO.
@escolinhaespirita

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Confidência de mãe

 
 Andradina de Oliveira

Dei-te um berço de rendas e de flores,
Adorei-te por nume excelso e amigo
E inclinei-te, meu filho, a ser comigo
Soberano de sonhos tentadores.

Ordenava, no orgulho que maldigo :
– “Não te curves nem sirvas, aonde fores...”
Entreguei-te mentiras por louvores
E enganosa fortuna por abrigo.

Hoje, de alma surpresa, torno a casa!
Tremo ao ver-te no luxo que te arrasa,
Como quem dorme em trágico veneno!

E choro, filho meu, choro vencida,
Por guardar-te entre os grandes toda a vida,
Sem jamais ensinar-te a ser pequeno.
 

Do livro Luz no Lar, obra mediúnica psicografada pelo médium Francisco Cândido Xavier.

Qual o valor da Família?

"O fator essencial para reconhecer o valor da família está na capacidade de sentir o bem e retribuí-lo.
Quando crianças, ao sermos contrariados, fazíamos "birra".
Alguém, insistiu conosco, não uma, mas mil vezes, para aprendermos"

Valorizar a família, à primeira vista, parece se fácil. Recuperemos as primeiras lembranças de que temos: quase sempre, vamos pensar nas brincadeiras infantis, ambiente afetuoso, do carinho da mãe, da atenção do pai, das brincadeiras entre irmãos. E se lembramos de broncas e castigos, concluímos com nosso raciocínio de adulto que muitas advertências nos ensinaram limites e nos fizeram compreender o que é dever, carência, respeito, prudência.

São conceitos abstratos, mas necessários para "uma criança virar gente". como se dizia antigamente.

Mais difícil é quando não temos boas lembranças. Se faltou um dos pais ou ambos, seja presencialmente, seja no cumprimento de seu papel. Ainda assim, com mais esforço, vamos situar em outras pessoas a condição de educadores e apoiadores necessários ao nosso desenvolvimento. Avós, tios, primos ou irmãos mais velhos, consanguíneos ou não, podem ser referências importantes para nossas vidas.

Quem cresceu com total ausência destas referências teve muito mais dificuldades e sua vida, precisando encontrar em seu próprio íntimo as forças para construir a si mesmo como ser humano adulto e em condições de compreender e cumprir sua missão na vida. Mas, às vezes, quem teve tudo, só vem a dar o devido valor quando sofre as perdas que a vida impõe.

Não há dúvida que os conceitos que o Espiritismo trouxe sobre a vida ajudam a melhorar o nível do aproveitamento de nossa existência, pois aprendemos que estamos vivos para evoluir e que isso significa desenvolver a alma, em seus potenciais mentais e emocionais. O fator "reencarnação" auxilia a compreender melhor as situações de exceção, porém não se pode dizer que é indispensável para valorizar a família. Sem dúvida, ajuda, e muito. Porém são bilhões de almas encarnadas em jornada evolutiva na situação de encarnados que não receberam tal informação e que nascem, crescem, desenvolvem-se e, portanto, evoluem.

O fator essencial para reconhecer o valor da família está na capacidade de sentir o bem e retribuí-lo. Quando crianças, ao sermos contrariados, fazíamos "birra", chorando, batendo o pé no chão, chutando coisas. Alguém, pai, mãe ou couto com esta função, insistiu conosco, não uma, mas "mil vezes", para aprendermos. Talvez o tenhamos deixado quase louco, testando sua paciência, mas dentro de nós, aprendemos a identificar quando uma atitude tem como finalidade o nosso bem. Isso é aprendizado, modificação, evolução enfim.

A frase já é conhecida: amor é o que o  amor faz. O que a família - ou diversas pessoas na vida que cumpriram esse papel -  nos fez e continua nos fazendo é a verdadeira medida do amor para cada um de nós. E isso se desdobra ao longo do tempo, quando chega nossa vez de criar uma família. Pode ser que nos unamos a outra pessoa, para formar um lar, que venham os filhos e os desafio de educa-los. Pode ser que venhamos a assumir a extraordinária missão de adotá-los. Que tenhamos que criar filhos sem um companheiro/companheira.
 Ou ainda que venhamos a ser pais substitutos de filhos de outras famílias que se aproximaram de nós pela mais diversas razões.

As possibilidades são infinitas, mais tais situações da vida aparecem para nosso aprendizado e crescimento. Nem sempre vamos acertar, ao contrário, costumamos errar muito pensando que estamos certos. Porém, a direção mais segura continua sendo a regra áurea: amar ao próximo como a si mesmo. Pode ser que, em nossa mente, essa frase tão sábia seja ouvida como chavão, porque a ouvimos muitas vezes, Mas atenção: lembremos de nós mesmos, de quem somos, de que já vivemos para valorizar nossas atitudes como parte da família de alguém na vida.

Texto de Eduardo Miyashiro - Diretor-geral da Aliança
Extraido O TREVO - Aliança Espírita Evangélica numero 462

A Família

 "O lar é o sagrado vértice onde o homem e a mulher se encontram para o entendimento indispensável. É o templo onde as criaturas devem unir-se espiritual antes que corporalmente.
 André Luiz - Nosso Lar" .

A reunião de Espíritos, quase sempre diferentes, moral e intelectualmente, e uma mesma família, formando um mesmo lar, é providência tomada por força de acordos pré-encarnatórios e compromissos assumidos antes do nascimento, no Plano Espiritual.

As finalidades principais desses agrupamentos de indivíduos diferentes são:
a) resgates de dívidas do passado;
b) desenvolvimento da capacidade de amos aos semelhantes:
c) afinização entre participantes, sendo ao consanguinidade problema simplesmente decorrente, porém complementar porque, pela hereditariedade, muitas das provações se efetivam.

As diferentes condições necessárias às provas a passar juntos pelos membros da família são providenciadas pelos benfeitores espirituais encarregados das reencarnações, com anuência dos interessados, quando estes têm liberdade de opção e, compulsoriamente, nos casos contrários.

Para os Espíritos benfeitores é um trabalho delicado e penoso este de reunir, num mesmo agrupamento familiar, as pessoas e as condições necessárias aos reajustes e provações.

Se os conhecimentos espíritas fossem mais difundidos, muitos fracassos encarnativos seriam evitados, os resgastes e as aproximações facilitados, cada uma das partes agindo com a consciência despertada para os benefícios comuns do grupo.

As leis e costumes diferentes e, sobretudo os ensinamentos religiosos afastados da realidade e impostos aos homens durante séculos, desviaram-nos dos rumos certos e promoveram continuados fracassos encarnativos ou, no mínimo, baixo aproveitamento de oportunidades em sucessivas encarnações.

O lar familiar é um primeiro campo de reajustes e de experiências afetivas, onde a fraternidade e a tolerância podem ser exercitadas, visando a futura expansão do sentimento divino do amor espiritual.

Acostumando-se a querer bem àqueles que são do mesmo sangue ou da mesma grei e estendendo a tolerância às gerações seguintes, de netos e bisnetos, vai crescendo essa capacidade afetiva, penetrando os homens no campo mais amplo e geral do amor aos semelhantes, extensivo, por fim, aos estranhos.

A civilização atual está aniquilando esses sentimentos e afastando essas oportunidades, substituindo-as pela indiferença, pelo egoísmo, pela insensibilidade que caracterizam o materialismo hodierno.

Nações inteiras expoentes dessa civilização ilusória estão caminhando para a anarquia social, na qual desaparecem o respeito e o pudor, e o sexo é entronizado pelo amor livre, desembaraçado dos liames afetivos da família, num regresso lastimável à animalidade anterior.

A defesa intransigente da estabilidade dos lares, no seu sentido cristão, é uma das tarefas a que os Discípulos de Jesus devem dedicar-se com firme determinação, porque a purificação do corpo e do Espírito que os lares cristãos favorecem é condição indispensável ao aprimoramento da evolução.

Há uma forte tendência de se implantar no mundo essa licença sexual desmoralizante, para que os instintos inferiores campeiem livremente; e este é um dos sinais de que a Besta Apocalíptica tenta estender seu domínio amplamente, opondo-se às hostes iluminadas do Cristo Planetário, das quais todos os espíritas devem fazer.
cap 5 do livro Enquanto é Tempo - Edgard Armond

INFLUÊNCIA DOS PAIS
Os pais, como se sabe, influem poderosamente na conduta dos filhos, contendo excesso e impulsos instintivos, herdados da animalidade ancestral (que são congênitos) como também, sentimentos inferiores, que o convívio com os semelhantes muitas vezes favorecem, porque se soma.

Energia, vigilância e amor são três requisitos indispensáveis para o cumprimento proveitoso do dever e a quitação das responsabilidades que, como pais, lhe cabem.

EDUCAÇÃO DOS FILHOS
Quando os pais terrenos não impõem aos filhos os corretivos necessários, no tempo justo, seja por tolerância, negligência ou cansaço pela inutilidade deles, os estigmas das paixões animais prevalecem e acabam por dominá-los, exigindo repressões mais drásticas que, entretanto, nestes casos, tornam-se inúteis e até mesmo contraproducentes, porque geram ressentimentos, malquerenças e afastamentos.

Mas se os pais tudo fazem e nada conseguem, resta então confiar que o mundo exterior o fará de qualquer forma, porque aquele que não aprende com os pais, aprende com a vida que nestes casos, nunca tem mão leve.
Do livro Na Semeadura I - Edgard Armond

Extraído de O TREVO - Aliança Espírita Evangélica numero 462

A Evangelização é de Longo Curso


Roma (espírito)
Saudamos os companheiros que fazem deste recinto humilde o santuário do amor fraterno, rogando que a Sublime Luz os envolva.

As coisas simples quase sempre produzem milagres.

Um grupo singelo e sincero, envolto na luz da prece, poderá refletir a grande estrela que anunciou a vinda do nossa Divino Mestre.

Participando esta noite dos trabalhos em curso, queremos dizer, com doce emoção, que acompanhamos os vossos passos na estrada luminosa da fraternidade e estabelecemos, em bases firmes, a objetivo a ser alcançado.

Correram os séculos; o tempo em sua vertiginosa carreira deu ensejo ao advento do Cristianismo ofertando ao mundo as lições do céu.

Doou, de acordo com o Espírito de Verdade, o Consolador aos homens, rasgando os véus dos templos para fazer surgir um novo horizonte na manhã festiva da Humanidade.
De longo curso, a evangelização dos Espíritos no mundo terrestre alcança atualmente o ponto culminante que comoverá os corações incautos, por traduzirem as verdades nunca antes vistas ou pressentidas.
Caravaneiros do Amor Divino, os homens que se consagram à benção da tarefa cristã, junto aos povos necessitados, mantêm entre si liames tão fortes, que a união permanente se fará, fortalecendo os elos que constituirão, um dia, a própria Humanidade irmanada nos grandes ideais.
Possuis, como os apóstolos do Cristo, a chave da felicidade para todas as criaturas.
Entretanto, estudando o Divino Amigo, sabemos que, embora antevendo os sofrimentos crudelíssimos a que seria submetido, não hesitou em oferecer, pelo sacrifício da cruz, a mais rica lição que até hoje assombra o mundo.
Caminhai, pois, destemidos; o espinheiro vive ainda no planeta Terra, como planta agressiva, todavia, nos jardins terrestres a rosa desmancha-se em perfume e cor, suavizando a vida e enaltecendo a tolerância.
Busquemos servir sem a mágoa que fere; escute- mos a Voz do Alto que ressoa em amorável convite:
– Tomai o meu jugo. Eis que vos chamo. Filhos bem-amados, esta é a hora de atitudes definidas e definitivas. É o momento de decidir. Seguiremos o Cristo em espírito e verdade, doando-nos totalmente ao seu Amor, ou permaneceremos sobre os próprios passos, numa rodaviva, sem proveito e com intensos e mais dolorosos sofrimentos.
A Tenda de Ismael é o foco divino de divinas irradiações.
Permanecer nas tarefas a ele pertencentes é servir ao Cristianismo e, conseqüentemente, à Humanidade.
Neste santuário sublimo de orientações, preces e meditações estabelece-se o contato maior da Terra com o Plano Superior, fazendo, de instante a instante, descer sobro o coração humano a bênção da luz que o reconforta e reanima.
Seguiremos o Caminho envoltos na doce esperança do porvir, banhando-nos na aura sagrada do Grande e Divino Mestre.
Deus vos fortaleça e abençoe. Não temais.
Cristo vai à frente como Estrela Divina guiando-nos para o Eterno Amor.
Roma (espírito)

(Mensagem recebida pela médium Maria Cecília Paiva, na noite de 12 de janeiro de 1978, na Federação Espírita Brasileira, no Rio de Janeiro-RJ.)
Reformador N° 1806 de Setembro de 1979
extraído do site

7 formas positivas de ajudar as crianças a lidar com o desapontamento






por Miguel Lucas psicólogo

Como pai ou educador, o mais natural é fazer todos os esforços para evitar que a sua criança sofra ou passe por experiências de dor física ou emocional. Uma das experiências mais difíceis para uma criança é o desapontamento. As crianças são por natureza muito entusiasmadas, envolvendo-se em muitas atividades e sempre à procura de conquistas. Quando as suas esperanças e desejos não são cumpridos, elas podem experimentar sentimentos de decepção. Se esses sentimentos forem personalizados por parte da criança, ela pode julgar-se inferior relativamente às outras crianças, conduzindo-a a comportamentos prejudiciais para o seu desenvolvimento saudável. Se é pai ou educador, quero muito dizer-lhe que é possível transformar o desapontamento como um trampolim para o crescimento e desenvolvimento das crianças.
Em seguida apresento sete estratégias chave para ajudar as crianças a trabalhar na sua força emocional através dos sentimentos de decepção:

1. Reconheça os sentimentos da criança
Talvez a criança não tenha sido escolhida para o papel principal na peça escolar ou não tenha alcançado o grau académico que ela queria. Talvez ele ou ela não tenha sido convidado para uma festa de aniversário ou o seu desapontamento foi sobre algo muito sério. A primeira e mais importante resposta dos pais ou educadores é ouvir e reconhecer.
Por exemplo:
“Sim, estás desapontado.
Está certo sentir isso, e não tem problema nenhum em expressares esse sentimento. 
Sim, o desapontamento dói. É uma perda.
Queres falar comigo acerca disso? Fala o que quiseres.”

2. Valide a criança como pessoa

A decepção é uma crise emocional para as crianças. Quando elas lutam com um revés ou com uma derrota, as crianças olham para os pais para validação. Após uma experiência de decepção por parte da criança, o comportamento que os pais ou educadores têm com ela e a forma como falam acerca disso tem uma influência preponderante para a construção de uma opinião acerca do que significa o desapontamento. 
Discurso da criança:
Ainda estou bem?
Os meus sentimentos são aceitáveis ​​para você?
Há algo de errado comigo?
Isto está a acontecer comigo porque eu sou diferente para pior?  
Discurso dos pais ou educadores:
O desapontamento é doloroso, mas não tem nada de que te possas envergonhar.
Não faz com que sejas uma pessoa inferior.
Não conseguires algo que gostarias de ter ou alcançar não faz de ti um perdedor.
É muito importante deixar isso claro, tanto em palavras como em ações, porque os julgamentos negativos são comuns de acontecerem, quase de forma automática. A realidade da sociedade em que vivemos é que há classificações constantes, como por exemplo na escola, no desporto e até mesmo entre os pares.
A mensagem que importa deitar por terra é que a criança tem de ser um “vencedor”, um “número um” para ser aceite ou ter valor. Na grande maioria das vezes e para a maioria das áreas de vida isso é completamente impossível ou desajustado. Comentários desagradáveis ​​na escola ou entre os ciclos de amigos podem reforçar a sensação de ser um “perdedor”.
Fique atento às manifestações verbais e comportamentais da criança que indiquem desvalorização pessoal.

3. Ensine pelo exemplo

As crianças aprendem muito mais através da observação do que pelo que você lhes diz. Mostre à criança como você lida com o seu desapontamento. Deixe-a saber como você se sente e o que faz perante o desapontamento. Então a criança irá sentir-se encorajada a fazer de forma idêntica. 

4. Desejar versus ter

Fale com a criança. Discuta como tolerar os desapontamentos a curto prazo e como transferir as suas esperanças para o futuro. Tente descobrir juntamente com a criança quão realista é esse desejo ou objetivo. Esta é uma oportunidade de aprendizagem particularmente boa se a decepção é sobre não obter um objeto desejado, uma viagem à Disneyland, ou qualquer outra coisa.
Por exemplo: 
Nem todos os desapontamentos são para sempre.
Não foi possível fazer essa viagem agora, mas para o ano que vem certamente irá acontecer.
Escrutinar as nossas esperanças e sonhos, por um lado, e o que a vida pode oferecer a qualquer momento, por outro lado, é uma habilidade de vida muito valiosa. Por isso importa orientar e ajudar a criança a aprender a realidade que a vida nos impõe.

5. habilidades auto-calmantes para crianças

Mesmo os bebés praticam habilidades auto-calmantes, como balançar, chupar na chupeta e abraçar os pais. Observe a criança e note que habilidades auto-calmantes têm funcionado para ela. Sugira à criança que tente  aplicar essas habilidades quando se encontra desapontada. Recorrer a um conjunto de estratégias ou técnicas de regulação do estado emocional que sejam familiares para as crianças é uma forma eficaz e saudável de lidar com a decepção.  

6. Soluções (mas sem desaprovação)

Alguns desapontamentos só podem ser ultrapassados trabalhando na sua aceitação ao logo do tempo, mas existem outros que podem ser reavaliados e os seus efeitos transformados. Experimente falar tranquilamente com a criança e perceber quais as razões que a levam a colocar uma carga emocional tão elevada em alguns acontecimentos. Depois, conjuntamente com ela, perceba o que pode ser feito para minimizar os danos causados e de que forma mais construtiva poderá lidar com acontecimentos semelhantes no futuro.
Esteja ciente de que é realmente importante não transmitir culpa à criança por não ter conseguido encontrar uma forma de lidar com o seu desapontamento. Oriente a criança no caminho para uma solução que ela seja capaz de implementar na próxima vez. 

7. Amor incondicional

Quando a criança está desapontada, particularmente quando a decepção está conectada às suas realizações, você tem uma chance maravilhosa de mostrar-lhe que a ama exatamente como ela é. Se tiver algo a dizer-lhe ou a ensinar-lhe como mencionei nos pontos anteriores, refira-se sempre em relação ao comportamento ou atitude que ela teve ou tem perante o desapontamento e não propriamente a ela como pessoa. 
Exemplo:
“Eu gosto muito de ti, e percebo que possas estar desapontado. Acredito que da próxima vez não seja necessário teres uma atitude tão furiosa e de afastamento.”
Abraço,
Miguel Lucas
Licenciado em Psicologia, exerce em clínica privada. É também preparador mental de atletas e equipas desportivas, treinador de atletismo e formador na área do rendimento desportivo.

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Filhos que aprontam e pais que se desculpam




Artigo da Revista O Consolador
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Para ser mais preciso, algo muito estranho, para dizer o mínimo, está em curso na relação entre pais e filhos na atualidade. Ou seja, os pais estão agora se desculpando por exercer o seu papel na educação da sua prole. Explico melhor: há fortes indícios de que muitos pais se sentem desconfortáveis em chamar a atenção dos seus filhos quando estes se excedem ou cometem uma falta grave. Em situações mais extremas, há pais que se desculpam por não poder acompanhar os seus filhos em certos eventos ou lhes atender certos desejos e caprichos.
É evitado a todo o custo – como já presenciei inúmeras vezes - o uso da palavra “não” na interação diária entre eles, até mesmo em situações que concretamente a exigem. É notório que os padrões educacionais – refiro-me essencialmente aqui à orientação que parte do lar – sofreram acentuadas mudanças nas últimas décadas. Por conseguinte, o modelo austero do passado cedeu a um enfoque e/ou tratamento contemporizador e, às vezes, até mesmo excessivo. Por isso, é pertinente recuperar as elucidações exaradas pela doutrina espírita, considerando a delicadeza do assunto. 
Desse modo, será que estabelecer certos limites e/ou pronunciar a palavra não, quando esta for necessária, podem ser iniciativas indesejadas nas relações entre pais e filhos? A lógica nos sugere o contrário. Afinal de contas, a educação do lar tende a moldar importantes traços comportamentais e de personalidade dos filhos. É nessa fonte sagrada que normalmente bebemos durante uma parte relevante da nossa formação, e que provavelmente determinará muito do que haveremos de ser no futuro. Se bem aproveitada, certamente nos lembraremos por toda a vida de certas lições recebidas, conselhos formulados, explicações fornecidas e exemplos dados pelos nossos pais.
Corroborando essa percepção, O Espírito Emmanuel, na obra Pensamento e Vida (psicografia de Francisco Cândido Xavier), recorda que “Nasce a criança, trazendo consigo o patrimônio moral que lhe marca a individualidade antes do renascimento no plano físico; no entanto, receberá os reflexos dos pais e dos mestres que lhe imprimirão à nova chapa cerebral as imagens que, em muitas ocasiões, lhe influenciarão a existência inteira”.  
Emmanuel pondera igualmente que:
“Tratá-los à conta de enfeites do coração será induzi-los a funestos enganos, porquanto, em se tornando ineficientes para a luta redentora, quando se lhes desenvolve o veículo orgânico facilmente se ajustam ao reflexo dominante das inteligências aclimatadas na sombra ou na rebeldia, gravitando para a influência do pretérito que mais deveríamos evitar e temer.
É assim que toda criança, entregue à nossa guarda, é um vaso vivo a arrecadar-nos as imagens da experiência diária, competindo-nos, pois, o dever de traçar-lhe noções de justiça e trabalho, fraternidade e ordem, habituando-a, desde cedo, à disciplina e ao exercício do bem, com a força de nossas demonstrações, sem, contudo, furtar-lhe o clima de otimismo e esperança. Acolhendo-a, com amor, cabe-nos recordar que o coração da infância é urna preciosa a incorporar-nos os reflexos, troféu que nos retratará no grande futuro, no qual passaremos todos igualmente a viver, na função de herdeiros das nossas próprias obras”.
Por sua vez, Allan Kardec, em O Livro dos Espíritos (questão 208), sintetiza: “... os Espíritos dos pais têm por missão desenvolver os de seus filhos pela educação. Constitui-lhes isso uma tarefa. Tornar-se-ão culpados, se vierem a falir no seu desempenho” (ênfase minha). Dedicar-se a essa tarefa com denodo, portanto, constitui uma obrigação inalienável quando se assume a paternidade.
Desculpar-se por querer lhes fornecer as lições mais valiosas ou por negar-lhes certos caprichos perigosos não condiz com tal missão. Querer compensar a ausência física – muito comum nos dias presentes por várias razões que não cabem discorrer aqui - por meio da complacência descabida com os defeitos, manias e comportamentos inapropriados dos filhos não ajuda os que abraçam a paternidade, assim como os seus filhos, além de criar situações penosas e perfeitamente dispensáveis para todos os envolvidos.
 por Anselmo Ferreira Vasconcelos
http://www.oconsolador.com.br/ano11/530/ca1.html
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